A Polícia Federal intimou, nesta quinta-feira, mais de 80 pessoas a prestarem depoimentos sobre a quadrilha que fraudava concursos públicos em todo o País há pelo menos 16 anos, desbaratada pela Operação Tormenta.
Na quarta-feira, 12 pessoas foram presas. De acordo com o diretor da corporação, Luiz Fernando Corrêa, essas pessoas intimadas também tiveram participação no esquema de violação das provas. Todos os esclarecimentos serão prestados na Superintendência de São Paulo.
Luiz Fernando Corrêa se reuniu, nesta quinta, com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante. Dentre as provas fraudadas estão a 2ª fase do exame da OAB, neste ano, a de agente da Polícia Federal, em 2009, e a de auditor da Receita Federal , em 1994. A quadrilha cobrava até US$ 150 mil para fraudar os testes. O exame da OAB foi cancelado. O diretor da PF garante, no entanto, que as outras provas não serão anuladas.
"O Estado tem capacidade de investigar. Cancelar concurso é o grande mercado que a quadrilha precisa. Quanto mais forem anulados e retomados, mais candidatos vão recorrer e eles vão tentar fraudar", afirmou Corrêa. Segundo ele, as vagas preenchidas por fraudadores serão reservadas para as próximas seleções.
Além dos depoimentos, a Polícia Federal vai fazer análise de todo o material recolhido nas buscas e apreensões. Foram expedidos 34 mandados, sendo 21 em São Paulo, um no Rio de Janeiro, três na região de Campinas e os demais na Baixada Santista. Durante a execução, os agentes da PF apreenderam dinheiro, equipamentos para fraude e cadernos de provas nos endereços abordados.
O presidente da OAB apoia a investigação da Polícia Federal. "Nós não podemos deixar que os concursos públicos sejam fraudados e proporcionar que o crime organizado se instale no Estado. Não podemos proporcionar a quebra da isonomia das pessoas que estudam com dificuldade, que pagam para participar da seleção, e que acabam sendo preteridas em função de uma situação de fraude como esta", declarou Cavalcante.
Fraudes
A atuação do grupo criminoso para obter as respostas das provas era variada. A polícia identificou que a fraude era realizada por meio de aliciamento de pessoas que tinham acesso ao caderno de questões, para acesso antecipado às provas, repasse de respostas por ponto eletrônico durante a realização do concurso e indicação de uma terceira pessoa mais preparada para fazer o concurso no lugar do candidato-cliente.
Os 12 envolvidos no esquema serão enquadrados nos crimes de formação de quadrilha, violação e sigilo funcional, estelionato, receptação e falsificação de documentos públicos. Já os candidatos identificados irão responder por crime de receptação e estelionato.Entre os líderes da quadrilha estão um policial rodoviário federal e um dono de universidade de São Paulo. A PF não citou o nome dessas pessoas.
A Polícia Federal iniciou a operação a partir de informações obtidas durante a investigação sobre o concurso para agente da PF, em 2009. A partir de fevereiro deste ano, com o aprofundamento dos trabalhos, a PF identificou que a quadrilha atuava em todo o País, mediante o acesso aos cadernos de questões, antes da data de aplicação das provas. Outros concursos como o da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estão sob suspeita.
Fonte: Terra