A Comissão de Juristas responsável pela
elaboração do anteprojeto do novo CPC decidiu ontem, 30/3, que, em um mesmo
processo com vários demandantes, a decisão do juiz será válida para todos os
participantes.
O objetivo é "tratar com igualdade as pessoas que estão em uma mesma ação",
afirmou o presidente da comissão, ministro do STJ Luiz Fux. A comissão
esteve reunida ontem, 30/3, durante todo o dia, no Senado.
Os juristas resolveram ainda colocar no anteprojeto do CPC, a ser entregue
ao Senado, que o prazo para pedir rescisão de sentenças, em processos em que
se comprove corrupção de juízes ou o uso de documento falso, será de dois
anos a partir do final do processo. A Comissão decidira antes que o prazo
para pedido de rescisão de sentenças, hoje de dois anos, seria reduzido no
novo CPC para um ano. Agora, eles concordaram em fazer as duas exceções para
os casos de corrupção e documentação falsa.
Como o anteprojeto do CPC está limitando muito o uso de recursos nos
processos, os juristas também decidiram nesta terça-feira que, após a
concessão de uma liminar por um juiz, o advogado poderá de imediato
sustentar oralmente suas razões contra essa decisão de urgência. Para o
ministro Luiz Fux, as liminares na prática "têm um efeito quase que de
solução imediata do litígio", embora não seja a definição judicial do caso.
Assim, é justo que o advogado possa apresentar de imediato e verbalmente
suas razoes contra a liminar.
O ministro Luiz Fux informou que a comissão resolveu trabalhar a partir de
agora inclusive nos fins de semana para entregar aos senadores, até o dia
29/4, o anteprojeto do CPC. Além das reuniões em Brasília, a comissão já
promoveu cinco audiências públicas em capitais de estado para discussão da
proposta. Ainda serão realizados debates em Manaus (no próximo dia 16),
Curitiba (dia 15) e Porto Alegre (16).
A comissão foi criada em setembro do ano passado pelo Senado e já entregou
um relatório preliminar ao presidente José Sarney, que agora vem sendo
aprimorado, a partir de sugestões enviadas aos juristas e apresentadas nas
audiências públicas. Ao final, o anteprojeto será encaminhado à Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, onde tramitará como proposição
legislativa. Depois de votado pelo Senado, o novo CPC terá de ser apreciado
pela Câmara dos Deputados.
Fonte: Migalhas